terça-feira, 27 de julho de 2010

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Para começar o dia, tencionava, mais uma vez, ir até à praia e aproveitar o calor e os raios de sol. Mas, o seu companheiro do costume tinha qualquer coisa para fazer durante a manhã e por isso decidira aproveitar a manhã para correr, coisa que já não fazia há uns dias pois acabava sempre por trocar a pista do parque da cidade pelo ócio do sofá e a conversa animada no mensageiro com a Catarina, ela tinha o dom de o fazer sorrir.


Enquanto se preparava para sair de casa, engolia de uma só vez um iogurte líquido e ligava o telemóvel que deu sinal de mensagem… Era dela, dava-lhe os parabéns desejava-lhe um dia de aniversário muito feliz e terminava com um «beijo grande». Era incrível com ela era capaz de o surpreender, falavam todos os dias e ela não comentou nem uma vez que se lembrava de quando era o seu dia de anos, leu a mensagem mais uma vez e sorriu.


Enquanto corria, recordava o dia, há anos atrás, que recebera uma carta dela com a noticia de que estava a terminar a sua licenciatura e embora estivessem mais distantes ela fazia questão de ter uma fita escrita pelo seu amigo. Ele, sempre com pouco jeito para coisas do género, escreveu a fita com todo grado e fez questão de algures deixar o seu novo e-mail e o seu novo número de telemóvel. Estava surpreso com aquele reaparecimento da amiga, mas não estava disposto a perde-la de vista outra vez. Pouco dias depois, ela adicionara-o no mensageiro e a partir daí foram muitos os serões que passaram a conversar sobre tudo e sobre nada. Desabafaram as suas desilusões amorosas e foram, muitas vezes, o confidente um do outro.


Surpreendia-o o facto de ficado tanto tempo sem terem notícias um do outro e mesmo depois de restabelecerem contacto e embora prometessem, constantemente, encontrarem-se, estiveram meses ou anos sem se verem. A oportunidade não surgiu e ele sentia-se bem assim. Pois, acreditava que se se tivessem encontrado para dividir as tristezas e secar as lágrimas um do outro, muito provavelmente não teria olhado para ela da mesma forma que olhara no dia em que finalmente decidiram ir beber um café. Não era uma mulher de deixar qualquer um de boca aberta, mas era segura de si e o seu sorriso encantava quem estivesse por perto.


Não se apercebera logo, desse olhar diferente com que olhava a sua amiga, mas com o passar do tempo desafiava-a cada vez mais para se encontrarem e não perdia uma oportunidade para a desconcertar com um piropo ou uma insinuação mais malandra. Mas apercebia-se sempre que, volta e meia, ela se afastava e fugia das suas investidas. Mas agora era diferente, além de não fugir alinhava nas suas brincadeiras malandras e desafiava-o, muitas vezes a saírem juntos. De certa forma isso deixava-o confuso e, naquela altura da sua vida, não lhe apetecia racionalizar nada e decidira deixar-se ir ao sabor dos dias.


A primeira coisa que fez, quando chegou a casa, depois da corrida, foi ligar o mensageiro e agradecer a mensagem que recebera logo pela manhã. Ela, como era hábito, estava on-line e após alguns momentos respondeu-lhe dizendo que era claro que não se podia esquecer dele. E assim ficaram os dois, durante alguns minutos a olhar para o ecrã do portátil sem saber o que dizer mais um ao outro. Ele estava feliz por ela se ter lembrado e ela não podia estar mais contente por ele ter gostado de receber aquela simples, mas cheia de intenções, mensagem…

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